Comércio

Economia deve passar por fortes ajustes, afirma economista

24 de julho de 2015

Anualmente os veículos de comunicação divulgam a informação de que haverá ajustes ficais. E, em 2015, não poderia ser diferente. Mais do que normais, eles são necessários, como justificou o economista Lucas Aronne Schifino, palestrante da última reunião-almoço promovida pela Cacis, ocorrida dia 24 de julho. “Os ajustes ficais são, de certa forma, até esperados, uma vez que são decorrentes das escolhas – nem sempre acertadas – que o governo fez nos últimos anos”, analisa.

Segundo o economista, o governo tem justificado a necessidade de ajustes como um reflexo da economia global. Por meio de números, Lucas explica que a realidade é outra. “Em termos comparativos, a média de crescimento dos países da zona do euro, da América Latina, dos emergentes, dos que estão em franco desenvolvimento e dos EUA foi de 3,4% em 2014 e de 3,3% em 2015 (até agora). No Brasil, os índices para esses dois períodos são de 0,1% e -1,5%, respectivamente. Então, podemos concluir, que a crise não vem de fora”, explica.

Conforme argumentou o economista, o governo brasileiro tentou fazer o país crescer pelas vias de demanda, ou seja, fazendo as empresas e as pessoas gastarem mais, sem aumento de produção. Durante anos, houve descontrole e manipulação fiscal, redução de juros forçada, controle cambial, aumento do papel das estatais e aumento das participações de bancos públicos no crédito. O resultado, ressalta Lucas, foi a queda do PIB, inflação elevada, passivo fiscal e crise de confiança. “É preciso aumentar a capacidade de produção sem que os preços aumentem muito para que todo o sistema não seja afetado. Mas como não foi essa a decisão do governo, hoje temos um resultado não muito favorável”.

Porém, mesmo com todos os avanços necessários que tem de ser feitos para sanar a economia brasileira, Lucas vislumbra algumas alternativas viáveis. Para ele, será vital que o governo impute um controle de gastos, faça ajustes monetários com aumento dos juros, aplique um investimento mais substancial para aumento da produtividade e controle, também, a crise política que abala a confiança a população. “Toda crise passa. A projeção atual aponta um crescimento baixo, mas com interrupção de queda. Para 2015, podemos descartar uma melhora. Apesar de haver uma dificuldade de fazermos uma projeção, podemos esperar uma recuperação em 2017 e 2018”.

Enquanto a crise não passa, o economista que também atua na assessoria econômica do Sistema Fecomércio-RS/SESC/SENAC, sugere algumas medidas que podem auxiliar no crescimento. Segundo Lucas, é fundamental manter os clientes, com foco na gestão, aumento de eficiência e controle de custos. “Crescer em cima de uma base sólida é melhor”, ensina.

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